sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Rilke e seu Amor.

Amar também é bom: 
porque o amor é difícil. 
O amor de duas criaturas humanas 
talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, 
a maior e última prova, 
a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. 
Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, 
não sabem amar: tem que aprendê-lo.
Com todo o seu ser, 
com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, 
medroso e palpitante, 
devem aprender a amar. 
Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. 
Assim, para quem ama, 
o amor, 
por muito tempo e pela vida afora, 
é solidão, 
isolamento cada vez mais intenso e profundo. 
O amor, antes de tudo, 
não é o que se chama entregar-se, 
confundir-se, unir-se a outra pessoa. 
Que sentido teria, com efeito, 
a união com algo não esclarecido, 
inacabado, dependente? 
O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, 
tornar-se algo em si mesmo, 
tornar-se um mundo para si, 
por causa de um outro ser; 
é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, 
uma escolha e um chamado para longe. 
Do amor que lhes é dado, 
os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos.
A fusão com outro, a entrega de si, 
toda a espécie de comunhão não são para eles; 
são algo de acabado para o qual, 
talvez, mal chegue atualmente a vida humana.
Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso 
em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão 
profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.

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